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Bodyboard
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Foto: Arquivo Pessoal do atleta
ACELPI, 2ª etapa, 1998 Amadeu Junior e Bibita
Entrevista com bodybiarder Amadeu Junior
Carlos Bezerra conversa com o atleta.

Carismático, amigo de toda a galera, Amadeu Junior é um ícone querido do bodyboard cearense. Sempre atuando em prol do esporte ele agora é uma das peças fundamentais no crescimento dos bastidores do esporte no Ceará. Confira a entrevista que fizemos com ele onde fala um pouco sobre sua trajetória, curiosidades, o bodyboarding e os sonhos futuros.

 - Amadeu, fala pra gente um pouco a respeito de como o bodyboard entrou na sua vida.

Meu 1º contato com o bodyboarding foi no Icaraí, em 93. Minha família tinha adquirido um apto no Condomínio Sollar, vizinho à antiga barraca KAMOA, quando vi 2 caras armando uma estrutura durante toda a madrugada. Por curiosidade, fui ver de que se tratava e foi então que conheci o Fco Rosa e o Biola (os 2 que estavam armando o palanque). No outro dia, dei uma passada pra ver o evento e me surpreendi com o público e o tamanho das ondas. Passei horas olhando tudo aquilo e disse pra mim mesmo: “vou aprender a surfar”.

- Você é um pioneiro no esporte. Como foi compartilhar o outside com nomes queridos como Rosa e Biola?

Lembro de um episódio peculiar: meu invertido não saía, por mais que eu tentasse. O Rosa remou na minha direção, pegou meu braço, ajustou sobre o bodybaord e disse: “o segredo é fixar o cotovelo”. Nunca mais errei um invertido. Depois, tivemos a oportunidade de trabalhar como organizadores de eventos e sempre trocávamos muitas idéias, principalmente quando ele lançou a revista Extra Magazine.

- Quando eu tinha 13 anos, sonhava em vir morar aqui em Fortaleza devido a divulgação que Francisco Rosa fez da Ponte Metálica, do Hawaizinho na revista Fluir Bodyboard. Hoje moro pertinho da Ponte é sou amarradão por isso. Como era curtir a vibe da Ponte, bater um lanche no Jairos e ainda dar um rolá com a galera a noite no calçadão da PI? Conta pra gente como era essa vibe.

Essa vibe todos puderam sentir no evento noturno que o Rosa e o Biola organizaram na Ponte Metálica no final dos anos 90. Presença maciça de público e de mídia. Calçadão lotado durante toda a madrugada e no mar só as feras profissionais. Lembro que corria Master e nossas baterias foram disputadas no Lido, de madrugada e com muita chuva. Mas todo mundo permaneceu pra acompanhar. Realmente, uma vibe contagiante.

- O bodyboarding cearense está se reestruturando desde o ano passado. Você faz parte desse movimento. Na sua opinião, onde erramos nos anos 90 e o que vai definir essa reestruturação atual?

Trabalhei durante muito tempo na antiga Federação, capitaneada pelo Paulo de Tarso (Mano). Foram os melhores anos do bodyboarding cearense. Circuito estadual com 06 etapas, com patrocinador oficial (Di Poly) e muito retorno de público e de mídia. Infelizmente, houve uma cobrança desmedida sobre os organizadores do circuito com relação à premiação da categoria profissional e isso culminou com a desmotivação do staff. Foi então que os atletas assumiram o comando do esporte e fundaram outra Federação (já que a anterior foi extinta). Ao meu ver, foi aí que o trem saiu dos trilhos, porque não houve uma transferência de conhecimento, de amadurecimento e nem de pessoas. Tudo foi mudado de uma hora para outra e sofremos muito com esse hiato de poder.

A situação atual é bem complexa. Existe uma Federação que está voltando à ativa e promete recuperar o espaço do bodyboarding cearense no cenário nacional, realizando o circuito oficial e que apontará os campeões cearenses e existe também um Liga Cearense, que organizou os últimos três circuitos cearenses e que organizará um circuito próprio. Como essas 2 entidades

vão coabitar, é um enigma. Tenho tentado manter a Comissão técnica coesa e, principalmente, única. Felizmente, tenho o compromisso dos presidentes de ambas as entidades que as mesmas utilizarão os serviços da atual comissão técnica.

- Você ainda dá suas caidinhas no mar? Se sim, qual o pico preferido?

Passei um tempo parado devido a uma lesão no joelho, mas agora estou de volta com força total (na medida do possível, claro). Sempre que posso, dou uma caidinha no Icaraí, nas imediações da barraca Praia e Sol.

- Apesar da termos passado fases bastante delicadas no esporte somos nós que temos os atletas no topo do esporte com a Isabela Sousa e o Roberto Bruno. A garra cearense se mantém. Se você pudesse mudar tudo num passe de mágica na organização do esporte no Ceará o que você desejaria que acontecesse.

Fácil. Desejaria que todos estivessem unidos em torno de uma única entidade, forte, democrática e capitaneada pelo meu professor e guru, Paulo de Tarso.

- Quais as metas para 2012?

Sou, talvez, o juiz mais antigo do Brasil em atividade (15 anos de palanque). Acho que está chegando a hora da aposentadoria. Pretendo julgar mais 2 anos, no máximo e me dedicar a um projeto antigo. Pretendo alavancar um projeto social, diferente de tudo o que já foi feito aqui, no bodyboarding. Seria uma Escolinha de capacitação integral, na qual o atleta/aluno aprenderia não apenas as técnicas do esporte, mas também uma profissão associada ao bodyboarding. Tudo isso com acompanhamento médico, odontológico, psicológico, nutricional e pedagógico. Pode parecer sonho, mas sonhos se tornam realidade quando acreditamos neles.

- Existe algo que você gostaria de acrescentar que não foi perguntado? Algo que quisesse deixar pros leitores?

Sim. Queria, na verdade, fazer um pedido. Gostaria de pedir aos atletas profissionais que “adotem” um atleta das categorias de base. Precisamos urgentemente revitalizar essas categorias, para dar nova vida ao esporte. Não é difícil. Basta um pouco do seu tempo com aquelas dicas preciosas e do estímulo que eles precisam tanto.

- Amadeu, obrigado pela entrevista e desejo do fundo do coração que possamos estar juntos cuidando e levando o bodyboading cearense e brasileiro pro resto do mundo.

Por: Carlos Bezerra em 11/02/2012hs
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