Esse era o título que Fortaleza possuía nos anos oitenta e noventa quando se falava de bodyboard. Grandes atletas e picos alucinantes para a prática. Um bom tempo se passou mas a cidade continua sendo uma grande potência no bodyboarding. Muitos picos que eram crowdeados nos anos 80 e 90 ficaram mais “tranquilos” enquanto outros como a Praia do Futuro ou como é apelidada pela galera, PF, chegam e parecer um formigueiro nos finais de semana de swell.
Fora da cidade o Icaraí, Taíba, Paracuru e Pico das Almas fazem a cabeça de quem resolve pegar a estrada. Gostaria aqui de falar um pouco da cidade de Fortaleza e apresentar para vocês alguns antigos novos picos que muitos não conhecem mas que, dependendo da época do ano, pode se transformar em uma session gringa.
Fortaleza possui inúmeros beach breaks e alguns reefs classe A. A capital tem ondas de todos os tipos. Uma boa session na cidade é realmente inesquecível desde que se escolha a maré certa, pois a variação entre elas chega a dois metros. Com a maré secando as ondas são rápidas e cavadas. Nas marés cheias as ondas ficam mais consistentes e manobráveis.
Alguns picos podem até passar despercebidos se checados na hora errada. Pegar onda em Fortaleza exige, além de técnica e preparo físico, muita pontualidade.
Praticamente todo o litoral da cidade oferece boas opções de ondas. É possível até encontrar alguns secrets. Entre os picos mais conhecidos e divulgados para todos é a Leste Oeste, um beach break de mais ou menos 800 metros de extensão. A Leste quebra em qualquer condição de maré, com até 6 pés. O point seguinte é a Ponte Metálica, na Praia de Iracema, um píer dasativado que abriga ondas alucinantes. A melhor hora do pico é a meia maré ou, para os mais insanos, maré seca enchendo. Nessas condições o Hawaizinho da Ponte quebra em cima de corais e o erro pode lhe proporcionar algumas lembranças pro resto da vida.
Hoje em dia a Beira Mar de Fortaleza é pouco divulgada e freqüentada pela galera porém, para os locais e na maré certa, ela proporciona boas ondas. Em épocas clássicas os reef breaks da Beira Mar de Fortaleza já foram comparadas ao South Shore de Oahu, no Hawaii devido a perfeição das ondas. Os dinossauros não me deixam mentir. Picos como o Náutico, Jaqueline e Apito proporcionavam e proporcionam direitas quilométricas. Em cima de tapetes de pedra.
Mais para frente encontramos o Mucuripe com um pico ideial para o bodyboard: O Portão. Com fundo de areia recheado com pedras, o Portão rola na maré seca. Uma onda totalmente buraco que pode passar dos 6 pés. Quando a maré começa a encher as ondas começam a balançar e é hora de conhecer o Titanzinho, o pico mais famoso da cidade de Fortaleza. Ondas clássicas que revelaram grandes nomes do surf cearense. Em dias clássicos chega a 8 pés com ondas cristalinas e tubulares. Junto ao Titanzinho encontra-se a comunidade do Serviluz que o Ipom, Instituto Povo do Mar e algumas organizações cristãs e particulares, desenvolvem projetos junto às famílias carentes.
Ao lado do Titan encontra-se o Vizinho, o primeiro pico da Praia do Futuro, uma enorme praia aberta no estilo da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Na PF os picos são apelidados a partir das barracas que ficam perto delas. A PF é o pico mais constante e, mesmo que esteja ruim, sua caída vai proporcionar alguns momentos de surf.
Como em todo lugar, a cidade e os bodyboarders são hospitaleiros contanto que saibamos chegar e sair de boa. As portas estão abertas e a galera adora se divertir nas noites da cidade. Você encontra desde casa de reggae como o Reggae Club até boates, shopping, barzinhos e tudo mais que uma cidade turística pode proporcionar.
Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat
