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Entrevistas
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Foto: Aleko Stergiou

Diana Cristina muda para o Rio de Janeiro com o apoio do shaper Thiago Cunha.

Diana Cristina
Menina do Rio

O shaper Thiago Cunha possui um consistente histórico na formação de atletas que proporcionam grandes alegrias ao surfe brasileiro na última década: Pablo Paulino, bi-campeão mundial Júnior; Alejo Muniz e Wiggoly Dantas, King of The Grommets em 2004 e 2005; Messias Félix, campeão brasileiro Profissional de 2009; Jefferson Silva, campeão mundial Junior em 2005, entre tantos outros.

 

 

 

É um processo árduo, de retorno a longo prazo e que passa pela identificação de potencial do atleta, investimento em equipamento, orientação de carreira, negociação com potenciais patrocinaodres, suporte logístico para competições e suporte familiar.

 

Uma das grandes apostas de Thiago Cunha é Diana Cristina, Tininha, descendente direta de indígenas, para quem ele traçou um estratégico plano. “Nos próximos dois anos começaremos um trabalho progressivo constante, que trará, em breve, conquistas importantes para o surf brasileiro. Já em 2011 ela vai buscar eventos importantes a partir do "seed" que conquistou o ano e, se tudo der certo, no início do ano com os primeiros evento de WQS, certamente ela estará na disputa por uma vaga para representar o Brasil no WT e, quem sabe, chegar ao final do ano na disputa do título mundial no WQS", afirma o shaper.

 

Pela experiência com diversos atletas, Thiago aprendeu que o fator família é muito importante, em especial para os atletas nordestinos. No caso de Diana, ele viabillizou financeiramente a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, de modo a diminuir o impacto cultural da mudança. O grande desafio para viabilizar projetos como o de Diana é que Thiago tira dinheiro literalmente do próprio bolso, sem nehuma perspectiva de retorno a curto prazo, pelo menos financeiramente.

 

O objetivo de Thiago Cunha é conseguir captar patrocinadores de porte que percebam em Diana Cristina uma representante legítima da cultura brasileira e que queiram viabilizar financeiramente seu projeto de carreira de modo a, quem sabe, formar uma indigena campeã do WQS e participando no WT. A lista de títulos acumulados pela atleta não deixa dúvidas de seu potencial: tetra-campeã sul-americana sub-20 ASP, tri-campeã profissional Brasileira no circuito Petrobras e quinta na primeira etapa do mundial Pro Júnior.

 

E o que a atleta pensa sobre esse projeto 2010/2011? Leia a seguir uma entrevista com Diana a respeito dessa ótima fase que está vivendo, depois de retomar o trabalho com Thiago Cunha em 2010, o que possibilitou alcançar o "seed" necessário para as competições do WQS em 2011.

 

Como foi para mudar para o Rio de Janeiro?

Foi uma mudança bem legal, ondas melhores. Posso treinar bastante e entre outras coisas faço um treinamento fora d'água. Além de ser um lugar que gosto muito.

 

E para seus pais? Eles estão morando com você?

Meus pais estão morando comigo no Rio, trabalhando e aprendendo a se adaptar a essa mudança, pois eles estão acostumados a cidade pequena, um lugar supercalmo, e agora vivem nesse agitado Rio de Janeiro. Mas estão felizes e eu também deles estarem comigo. Estamos morando aqui nesse momento para que tudo se estabeleça, depois eles poderão voltar e vir a hora que quiserem e vai ser muito bom.

 

Você acredita que outras meninas de sua tribo possam vir a seguir seu exemplo e surfarem também?

Sim, claro. Assim como eu que venho sempre batalhando, tem outras na tribo que também amam o surfe e têm potencial, mas por falta de apoio muitas desistem e surfam apenas por diversão. Mas acredito que com o passar do tempo muitos talentos vão surgir. Quero muito poder apoiar o surf na minha cidade, não só o surf como outros esportes. Temos muitos talentos, um desses nomes é Elivélton que vem se destacando no circuito brasileiro amador. Assim com ele muito outros vão surgir.

 

Do que mais sente falta de sua terra aqui no Rio?

Sinto bastante saudades da vida tranquila com a minha família, do calor do Nordeste, das frutas que são muitas e dos amigos da escola... de tudo (risos).

 

Como foi a experiência do Mundial Júnior em Bali?

Bali foi a primeiras de muitas, pretendo voltar lá mais vezes. Amei o lugar, o clima e as ondas. Fui bem recebida por todos, que achavam até que eu era indonesiana pela aparência (risos). A competição foi ótima. Tentei o melhor pra trazer esse titulo que ainda não temos. Foi uma experiência muito maneira. Enfrentei atletas novas que não conhecia, foi uma competição bem disputada. Agora vou para a disputa final na Austrália no início de 2011.

 

O que achou das atletas concorrentes? As australianas são a maior ameaça?

Já tive oportunidade de competir com algumas delas em outros eventos, mas fiquei fora do circuito por dois anos, que foi um prejuízo. Mas, graças a Deus consegui garantir a minha vaga para este mundial. Com muito sacrifício compareci ao evento de Bali e, com os pontos de minha quinta colocação, vou com tudo para a disputa do título na Austrália. Em 2011 quero viajar muito para pegar experiência em diversos tipos de ondas, pois vi bastante evolução no surfe de todas as garotas do tour. Todas estão surfando muito, mas acredito muito no meu potencial e na força de vontade de todas as brasileiras. Por isso tenho certeza de que vamos ter muitos títulos mundiais.

 

O shaper Thiago Bastos tem planos ambiciosos para você. Como está se preparando para dar conta do recado?

Thiago sempre me apoiou desde o começo e mais ainda quando perdi patrocínio. Venho batalhando e trabalhando forte para conseguir resultados que me ajudem a fechar um novo patrocínio para 2011. Agora vou investir novamente em competir o circuito WQS e buscar o título mundial para então garantir em breve a minha vaga para o mundial WT. Tenho treinando bastante, malhando, pedalando. Agora vou aumentar o meu condicionamento através de treinamento funcional. E sempre que posso ando de skate, pois gosto muito, mas sempre com bastante cuidado.

 

 

 

 

 

Como é seu trabalho com Thiago? Como se entendem para buscar a prancha ideal?

Trabalhamos juntos há mais de sete anos e sempre nos entendemos. Sempre renovando as pranchas, testando modelos. Tanto ele me sugerindo, quanto aquilo que vejo as garotas usando. E assim tentamos adaptar ao meu surf. Criando modelos de máquina, entre outros que nos ajudam a manter a evolução e acompanhar as mudanças que acontecem no meu surfe. Sempre trocamos e-mails, nos falamos pelo telefone ou vou à fabrica ou à loja. Converso com ele, falo qual prancha gostei, peço a reserva. Para economizar a mágica e eu uso mais a reserva, evitando que quebre. Mas sempre renovando e mantendo o meu quiver com as pranchas que preciso para me apresentar e desempenhar bem o meu papel dentro e fora d’água.

 

 

 

Está estudando inglês?

Estudei inglês por mais de dois anos, ainda quando morava na Paraíba. Hoje, morando no Rio, não estou mais fazendo, mas tenho me comunicado sempre com amigas que faço durante viagem. E vou praticando com elas e desenvolvendo o meu inglês. Mas pretendo voltar ao inglês novamente em breve.

 

Quem é sua maior referência no surfe feminino mundial?

Silvana Lima, pela sua historia de vida e tudo que ela já realizou. Ela é realmente um exemplo para qualquer surfista brasileira. Mas também admiro outras, como a australiana tetra-campeã mundial Stephany Gilmore, que fez história no mundial, além de Coco Ho, filha de uma lenda do surf havaiano.

 

Se tivesse dois minutos para convencer um empresário a te patrocinar, o que diria a ele?

 

Bem, o que posso dizer a todos é que estou pronta para enfrentar qualquer coisa na minha carreira de surfista profissional. Já batalhei bastante e vou batalhar ainda mais se preciso for nessa minha volta ao WQS. Estou pronta para representar o Brasil e conquistar muitos títulos para o meu país. Sei representar bem aos meus patrocinadores aonde quer que eu vá. Sei o potencial que tenho e não vou desistir. Sempre estou de cabeça erguida e vou vencer qualquer batalha. Sei que Deus está comigo e que Ele não vai me abandonar! Aprendi uma coisa com minha mãe: tudo tem sua hora. E sei que a minha vai chegar. Tenho um projeto e resultados que me credenciam a realizá-lo. Posso apresentar?

Por: Waves em 04/01/2011hs
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