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Entrevistas
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Fotos: Cícero Júnior
Entrevista com Heitor Alves
Conheça um pouco mais deste atleta que promete muito surf no Dream Tour em 2011

 

O cearense Heitor Alves, 27 anos, vencedor de quatro vitórias Prime no WQS de 2010 concedeu uma entrevista para o InnerSport, um bate papo descontraído com a repórter Daniela Soares onde falou de como prepara-se para as baterias, citou alguns novos talentos que estão para estourar no surf cearense e de suas perspectivas para o circuito deste ano. Conheça um pouco mais deste atleta que promete muito surf no Dream Tour em 2011.

 

O que se pode falar desse cara? Posso começar falando que mesmo depois de perder a vaga, em 2009, do WT, ele pôde dar a volta por cima, e em 2010, ele arrancou nada menos do que 4 vitórias , em WQS Prime, e uma tranqüila volta para a elite. Conseguiu, também, mixar a temporada de dez meses de competições com treinos e mais treinos. Um cara que tem a consciência de suas falhas, qualidades e tenta trabalhar isso todos os dias. Alguém muito acessível, risonho e humano. Apesar de vocês não poderem ter acesso agora a essa pessoa, poderão sentir um pouco da conversa que nos levou a retrospectiva do ano que se passou, das novas regras da ASP para o WT, entre outros assuntos abordados.

 

1- Você começou 2010, com uma vitória em casa. Como foi essa conquista?

Ah, para mim foi muito importante porque minha mãe nunca tinha me visto surfar direito e então ela esteve presente nesse campeonato. Foi também o primeiro que ela me viu competir e eu já saí vitorioso, numa etapa 06 estrelas do WQS. É começar o ano com o pé direito né?

 

2- No decorrer desse ano, o seu surf evoluiu tanto que conseguiu 61% de aproveitamento nas etapas do WQS, com 4 vitórias, outro com tamanha performance foi o Kelly Slater com 73%. O que você fez pra mudar?

Eu fiz coisas que nunca tinha feito antes no decorrer da minha carreira, que é fazer uma surf trip. Aperfeiçoar minha linha de surf, a linha que os juízes estão ali pra julgar e foi o que me ajudou bastante. Eu comecei fazendo uma trip para Austrália e depois fui para Indonésia e para o Peru. E sempre que tenho tempo, tento manter a parte física. Eu trabalhei no Rio de Janeiro com Salvador Lamas, um ex-surfista profissional, que hoje é juiz e também dá aulas direcionadas ao surf, com Pilates. Foi um trabalho alucinante, que com certeza me ajudou.

 

3- E como é a rotina, durante as etapas?

Depende do lugar onde estou. Se estou em casa, treino com o Salvador. Alternando os dias, entre surf e treino físico. Um dia surfo pela manhã e treino a tarde e no outro ao contrario, dependendo sempre da maré. Cuido também da alimentação. E durante as etapas, tento encaixar uma trip.

 

4- Quanto aos equipamentos. Você acha que as pranchas produzidas aqui no Brasil têm todos os parâmetros exigidos para as ondas surfadas no WQS e WT? Ou ainda é preciso utilizar as pranchas gingas?

Com certeza. Eu surfei em muitos campeonatos com pranchas brasileiras e não tem muita diferença. Eu utilizo a prancha do Simom. A diferença é que às vezes, as pranchas gringas vêm com um material que no Brasil ainda não chegou, e a forma com a galera termina as pranchas é diferente daqui. Mas a diferença é só nisso. Tive boas pranchas nacionais que me ajudaram a ganhar vários campeonatos. Hoje em dia eu surfo com uma meio brasileira e meio gringa. Isso porque o shaper é brasileiro, mas mora no Estados Unidos, e utiliza os materias de lá.

 

5- Em dez meses, você conseguiu conquistar 4 etapas do QS e também, a vaga para a elite. Como você avalia esse ano?

Foi um pouco tenso, pois tinha acabado de perder a vaga do WT, em 2009. Mesmo triste, não fiquei muito abalado, pois eu sabia que tinha muito a aprender. Eu acho que eu não estava preparado para aquele momento, e só o que pude colher foram alguns frutos. E agora em 2011, eu quero poder esbanjar isso nas minhas baterias. Fora que vencer a primeira etapa em casa me deu muita segurança para as outras etapas. Eu consegui ser constante, sempre tendo bons resultados, coisas que não estava acontecendo. Eu pude quebrar essa barreira.

 

6- Numa entrevista, você disse que estava inseguro quanto ao novo formato do WT. E agora mudou alguma coisa?

No começo, eu estava inseguro, porque não entendia as novas regras e por ter muitos pontos em jogo, que podiam ser mal distribuídos. Mas, acredito agora que essa mudança pode valorizar mais o esporte e também o lado financeiro do atleta.

 

7- Você saiu das águas cearenses para a elite do surf mundial. Nessa nova geração local, você vê alguém que tem esse mesmo potencial?

Sim, tem muitos atletas cearenses que estão quebrando, como o Michael Rodrigues, o Ramon do Titan, o Patrick e muitos outros. Acredito que irão surgir muitos meninos bons, principalmente se tiverem oportunidades. Patrocínio de marcas ou da prefeitura, pois é complicado quando não se tem nem o que comer em casa, investir no surf é sempre uma boa saída para esses jovens. Tem que ter raça, e vejo que essa galera é guerreira. O que eu puder fazer por eles, eu farei.

 

8- Qual é a sua tática para 2011?

Acho que será o resumo de 2010. Esse ano que passou foi muito bom pra mim, e quero que 2011 dê tudo certo também.

 

9- Quem é Heitor Alves?

Um cara brincalhão que gosta de estar sempre com os amigos. Que gosta de pegar ondas, em qualquer condição, onde for, e sempre trazendo paz para o esporte. Deixando essa mania de localismo e respeitar todos, porque surf é saúde, é diversão e sem briga ou violência.

 

Por Daniela Soares / Correspondente do InnerSport em Fortaleza / Fotos Cícero Júnior www.cearasurf.com.br - Praia do Futuro

Por: Cícero Júnior em 11/01/2011hs
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