Jano Belo, atleta de 29 anos, radicado no Rio de Janeiro, natural da Paraíba, é daquelas pessoas que se dedicam a fundo em tudo que se comprometem a fazer. Portanto, mantém um treino diário e, a cada sessão de surf, aprimora suas manobras e insere novas em seu repertório. Cobra de si uma disciplina na alimentação, nos treinos em academias, nas sessões de pilates, jiu-jítsu e tênis. Atividades que o levam ao equilíbrio mental e, ao preparo físico nas competições.
Belo já somou títulos importantes em seu currículo, tais como: o 1º lugar no SuperSurf Costa do Sauípe; O bi-campeotano paraibano Júnior; O 1º lugar no Campeonato Pernambucano Júnior; Título de atleta revelação do SuperSurf em 2005; O 5º lugar no WQS de Itajaí, em 2007; O 9º lugar no WQS da Inglaterra; O 1º lugar no SuperSurf Cupe 2008, e, neste mesmo ano, a 1ª colocação na Seletiva Petrobrás Cupe e, em 2009, conquistou o título de vice-campeão brasileiro do circuito SuperSurf.
Em 2010, sofreu duas lesões que o atrapalhou nos circuitos: uma no início e outra no fim do ano. Após essa má fase, Jano, aos poucos vem ganhando confiança e já retornou ao pódio no Circuito Estadual do Rio de Janeiro (2011), com um forte empenho e precisão nas manobras, terminou na 2ª colocação. Na entrevista que concedeu ao InnerSport, este surfista falou do incentivo do primo para começar no surf, dos objetivos para 2011, e deixou o seu recado: “Me aguardem...”
Confira a entrevista:
O que o motivou a praticar o surf e quem lhe deu a primeira prancha?
JB-O fato de morar em frente à praia, em João pessoa/PB contribuiu muito. Além do que meu primo era surfista. A primeira prancha foi um presente do meu pai.
Com que idade você deixou a Paraíba para mudar-se para o Rio de Janeiro?
JB-Desde criança frequentava muito o RJ, porque minha mãe é carioca e meus familiares maternos eram todos do Rio, onde sempre passei férias. Por este motivo acabava passando mais tempo no Rio do que na Paraíba. Em seguida comecei a surfar. Ficava na casa da minha tia, e com 21 ou 22 anos mudei para cá (Rio). No começo, na casa da minha tia. Depois, passei um tempo na casa do Simão Romão e da Diana, esposa dele. Não posso esquecer que fiquei uns tempos na ''casa dos artistas'', como nós chamávamos a residência com vários surfistas e a maioria do nordeste: Heitor Alves, Claudemir Lima, Lucinho Lima entre outros. Também fiquei na casa do Benjamim Ataíde, que treinava a galera. Todos sempre me ajudaram muito. Sou sempre grato. Em 2006/2007, fixei residência, alugando um apartamento. Depois de um tempo consegui comprar o meu próprio Apartamento.
Você fez muitas viagens. Dos lugares por onde passou qual foi a melhor onda surfada e em que "pico" tomou a pior "vaca"?
JB-A melhor onda surfada foi em Pipeline, no backdoor. E o lugar que tomei a pior “vaca” foi Sunset, no Hawaii.
Como surfista profissional qual foi a conquista que lhe trouxe mais orgulho?
JB-A vitoria do WQS 6 estrelas, etapa do mundial realizada em Itajaí/SC.
Acredita que o Brasil está com bons atletas para encarar a temporada do WT, em 2011? Se sim, dos atletas, qual o mais preparado?
JB-Sim, acredito em todos! O Adriano de Souza “Mineirinho”, pela experiência e pela "máquina" de competir que ele é. O Jadson André, pelos seus aéreos e seu surf imprevisível. O Heitor Alves, que faz praticamente todas as manobras possíveis e ganhou 4 WQSs ano passado (2010). O Raoni Monteiro, pelo seu surf de pressão e “quebra” nas ondas maiores, além dos aéreos. Alejo Muniz, pelo surf que está apresentando, e já começou quebrando vencendo o Hang Loose Pro Contest 2011, em Noronha. Vamos torcer para eles, porque todos estão muito bem preparados e merecem.
Você encontrou muita dificuldade nas ondas ou nos adversários, que competiam no Hang Loose Pro Contest 2011? O que falta em Jano Belo para repetir os pódios de anos anteriores?
JB-Estou bem preparado esse ano. Em 2010 tive duas contusões: uma no começo do ano e a outra no fim. Isso me obrigou a ficar longe do mar por três meses. Foi difícil voltar ao ritmo. No entanto, neste ano de 2011, acredito que o meu surf está melhor do que nunca. Estou acertando várias manobras novas que acrescentei no meu repertório, e retornei a minha forma mantendo meu peso. Em Noronha a sorte não estava ao meu favor e acabei sendo eliminado, junto com o Pablo Paulino.
Você está utilizando a Medicina tradicional Chinesa (Acupuntura) em paralelo com os treinamentos e dietas. O quê esta técnica está lhe proporcionando?
JB-já fiz acupuntura, mais no momento estou mais focado em pilates e treinamento funcional, e muito surf, e quando "rola um tempinho" faço esportes de hobby como jiu-jítsu e tênis.
Atualmente, as exigências para um bom surfista profissional mudaram e as empresas querem um novo perfil de atleta. Pra você como seria o perfil do surfista profissional de hoje?
JB-O atleta tem que preservar sua imagem, ser bem articulado, falar inglês, e se manter longe de drogas, e, também tem que saber que suas atitudes inspiram muita gente.
Houve alguma situação durante suas viagens como surfista profissional que mudou sua visão ou forma de pensar? Ou o surf por si só, automaticamente, altera sua visão de mundo?
JB-Nós presenciamos de tudo no circuito, algumas injustiças, mas temos que nos adaptar. Acredito que minha visão não mudou. Temos que correr atrás dos nossos sonhos e crer muito em DEUS, que é o mais importante.
No ranking da ASP South America você está em 39º. No ranking da ASP World Tour em 108º. Quais são suas metas para garantir um bom resultado para o almejado WT, e também alcançar melhores colocações em ambos os rankings?
JB-Vou competir nos WQSs Primes e seis estrelas em 2011, e pretendo acertar muitos aéreos para passar baterias e sempre mostrar o repertório inovador. Estou treinando! Me aguardem...