Quando o assunto são fotos de surf de dentro d’água, um nome logo vem à mente: Natinho Rodrigues. O fotógrafo é praticamente o único no Ceará que se aventura a fazer esse tipo de registro em alto mar, munido apenas de um pé de pato e de suas poderosas objetivas. E, como se não bastasse as excelentes fotos de surf, o cara ainda é fera em registros subaquáticos. Faz fotos de mergulho, kit-surf, windsurf, bodyboard, surf e natação. Além de ser fotojornalista, onde faz registros de jogos de futebol, esportes radicais e dos acontecimentos históricos de nossa cidade.
São muitas as histórias para contar, uma mais adrenalizante que a outra. Algumas delas Natinho Rodrigues compartilha com as Belas no Esporte. Portanto, se você é apaixonado por surf, fotografia ou simpatiza com alguma dessas atividades, essa entrevista certamente lhe renderá uma leitura bastante agradável.
Belas no Esporte: Como começou sua carreira como fotógrafo?
Natinho Rodrigues: Desde 1997 que fotografo surf. Comecei minha carreira registrando surf. No início por necessidade, como não tinham fotógrafos, sempre que aparecia uma câmera a galera me dava. Começaram a perceber que elas saiam bem feitas e assim comecei. Depois de um tempo consegui comprar o meu equipamento e, logo em seguida, vieram as viagens. Em 1998, participei de um jornal de surf, um dos primeiros do Ceará. A partir de então, passei a viajar pelo Nordeste inteiro e a ir para Fernando de Noronha todos os anos. Foi quando senti a necessidade e vontade de fazer fotos de dentro d’água. Em 2001, com ajuda do amigo Marcelo Bibita, construí a minha primeira caixa estanque e viajei, com um grupo de surfistas, para uma surf trip à praia do Francês, em Alagoas.
Na época, as fotos ainda eram analógicas, com filme. Lá eu consegui fazer uma foto que acabou sendo a primeira capa colorida de uma foto de surf de dentro d’água do Ceará. Depois disso, estou em Fernando de Noronha todos os anos, me dedicando. Fui melhorando as caixas estanques e, em seguida, passei para a câmera digital. Fiz outras caixas estanques e estou trabalhando até hoje. No Ceará, sou o único que atua profissionalmente com esse tipo de trabalho. Faço fotos de mergulho, kit-surf, windsurf, bodyboard, surf, natação e fotojornalismo. Mas a minha especialidade mesmo é o surf. Sou surfista há mais de 15 anos.
BE:O que é preciso para fazer fotos de surf de dentro d’água?
NR: Primeiro tem que conhecer muito o mar, nadar bem, ter um condicionamento físico bacana e conhecer as manobras. A pessoa tem que no mínimo já ter pego onda ou ser surfista, caso contrário corre o risco do cara se machucar ou bater no surfista. Tem também que saber se posicionar na onda e a hora de furar, para não atrapalhar o surfista e nem ser pegue pela onda. Já levei quilhada na perna, no Titanzinho; furei a cabeça nas pedras; já trinquei caixa estanque em coral. Uma vez a onda me pegou, me levou para o coral e a caixa estanque trincou.
BE:Qual foi a sua pior experiência dentro d’água?
NR: Foi em Fernando de Noronha, no ano passado. Fui fotografar um atleta, mas fiquei muito dentro da onda e ela me pegou. Levei uma vaca e fui levado para o coral, onde cortei o dedo. O corte foi muito profundo, então estava saindo muito sangue. O problema é que lá é cheio de tubarão e eu estava muito longe da areia, no out site. Nesse momento todos os surfistas me mandavam sair do mar. Estavam com medo que o meu sangue atraísse os tubarões. Depois disso, o meu dedo ficou muito inchado e não tive mais condições de trabalhar nos últimos dias da viagem.
BE: Esse tipo de incidente é muito comum?
NR: É constante. Fotografar de dentro d’água é estar sempre arriscando a vida. A gente fica com um equipamento pesado e no mar a gente tem que ficar nadando, não pisa na areia e não tem como saber se o chão é de pedra ou de areia. De vez em quando ainda somos levados pela onda. Ela te joga forte, saí te puxando.
BE:Para fotografar de dentro do mar, o que você leva?
NR: O meu equipamento é um colete de surf, para não fazer tanto frio, pé de pato e a caixa estanque. O equipamento pesa de 4 a 5 quilos. Se eu ficar segurando, ele afunda, mas se eu soltar ele boia. Quando estou cansado solto o equipamento e fico nadando, para descansar, e quando vejo que a onda está vindo pego de volta.
BE:Você já conseguiu fazer a foto da sua vida?
NR: Em toda caída, todos os dias que a gente faz um trabalho de dentro d’água, sempre traz uma foto que diz: – Essa é a foto. Mas é a foto daquele dia, no dia seguinte a gente acaba fazendo outra bacana e assim vai sendo.
BE:O que te motiva a ariscar sua vida para fazer fotos de surf de dentro d’água?
NR: Quando estou fotografando dentro d’água é como se eu tivesse dentro do tubo com o surfista. Quando ele vem e eu estou bem posicionado, me coloco dentro da onda, no ápice do surf, no momento mais mágico, que é o tubo. Estou dentro da onda com o cara curtindo o tubo, eu sinto a expressão dele, a felicidade que ele está sentindo e também me envolvo. Eu fico bastante feliz com isso. É como se eu estivesse pegando aquele tubo com o surfista. Depois, quando passa aquela sensação, a gente ainda vai olhar as fotos e comentar: – Porra, essa onda foi boa e tal! É uma sensação massa.
BE: Para quem pretende seguir esse caminho, quais dicas você dá?
NR: Primeiro tem que ter muita coragem; uma grana legal para investir num equipamento bom; ter o condicionamento físico bom, procurar sempre correr, nadar; e o principal: tem que conhecer o surf e entender de posicionamento dentro d’água. Tem que se ligar de tudo isso.
BE: Qual o equipamento ideal para usar dentro d’água?
NR: Uma caixa estanque custa entre R$ 2.500,00 a R$ 6.000,00, dependendo da marca. Cada câmera tem uma caixa estanque específica. As lentes têm frentes intercambiáveis, ou seja, dá para mudar a frente. Se a pessoa está num mar com ondas muito grandes, que não vai dar para ficar muito dentro da onda, o ideal é usar uma lente 70-200 milímetros, que dá para ficar dentro d’água, mas um pouco fora da zona de impacto. Se está seis pés, que são dois, três metros de onda, tendo coragem, o fotógrafo fica na zona de impacto, onde certamente ele fará as melhores fotos. No momento do ápice do tubo, na hora que o cara está pegando a onda, você tem que estar com uma grande angular, porque a distância é de um a dois metros do surfista. O momento de preparar todo o equipamento é na areia, antes de entrar no mar. Tem que fazer a leitura do mar, o pré-foco ou deixar no auto foco e vedar bem a caixa estanque. Se não fechar direito vai entrar água e provavelmente a pessoa vai perder o equipamento.
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Andrea GurgelComo sempre profissional,e empenhado no que faz de melhor,segue em frente quebrando tudo, Deus te abençoe!!!
