A despeito da ameaça de desaparecimento das ondas pelas obras de aterramento que estão em curso na orla da Capital, mais especificamente, na Praia de Iracema, um grupo de surfistas organizou um movimento batizado de S.O.S Ponte Metálica para defender a manutenção do local para a prática do surf, esporte que, naquele mesmo local, já forjou atletas do calibre de Rogério Biola, Francisco Rosa (In Memorian) e Marcelo Bibita, este último uma dos principais responsáveis pelo movimento de defesa das ondas da Ponte.
Preocupados com a ameaça caracterizada por eles como catástrofe esportiva, histórica e cultural da Praia de Iracema e a fim de sensibilizar as autoridades sobre a importância do local para desenvolvimento do esporte no bairro, estes surfistas vêm realizando encontros quinzenais onde são debatidos desde a legalidade da obra até as suas consequências no âmbito esportivo, social e ambiental.
No último sábado, 17/03, mais uma vez surfistas e simpatizantes reuniram-se na Ponte, dessa vez para participar da prestação de contas por parte dos líderes do movimento, quanto aos avanços e retrocessos sobre a questão. Segundo Marcelo Bibita, organizador da manifestação, o que existe de concreto é o processo que foi acionado pelo Procurador da República Alexander Sales, direcionado à Prefeitura Municipal de Fortaleza, a pedido do S.O.S Ponte Metálica, onde em acordo discutido na sede do Ministério Público Federal (CE), no último dia 06/03, entre as partes interessadas, ficaria então assinado um termo compensatório por parte do Município caso haja prejuízos à prática do surf no local.
Segundo Marcelo Bibita, apesar da Prefeita Luiziane Lins ter se mostrado sensível à causa e prometido tomar as devidas providências para a manutenção das ondas da Ponte Metálica, a total falta de comunicação entre sua assessoria e a liderança do movimento tem lançado dúvidas a respeito do compromisso assumido pela prefeitura. Para ele, sem um documento por escrito, os integrantes do movimento ficam apenas com a promessa assumida verbalmente e nada mais.
“Infelizmente vivemos em um mundo onde as palavras muitas vezes têm pouco ou nenhum valor, principalmente em se tratando de um ano eleitoral. Por isso consideramos que a batalha ainda não foi vencida e conclamamos toda a comunidade do surf a continuar a apoiar nosso movimento”, declara Marcelo que finaliza lembrando que a causa não visa somente preservar as ondas, mas também se preocupa com a vida marinha residente no local conhecido como Havaizinho e é composta por corais, lagostins, peixes e tartarugas, além dos botos que sempre foram monitorados pela torre de observação existente na própria Ponte Metálica e ainda sobre as possíveis consequências desse aterramento para praias como Icaraí, Tabuba e Cumbuco.
Acompanhe o andamento do processo que está protocolado sob o nº 1.15.000.000990/2008-63 no site: prce.mpf.gov.br
